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8 de Março - Declaração Internacional da Marcha Mundial das Mulheres

Quarta-feira, 06.03.13

 

Nós, mulheres do mundo, estamos a transformar a nossa dor em força.

 

Nós, mulheres de todos os povos, idades, classes e identidades sexuais, resistimos à crescente criminalização que pesa sobre nós, os nossos protestos e as nossas propostas. As ruas e os espaços públicos são nossos! Estamos organizadas em movimentos sociais, apesar de quererem que permaneçamos no espaço doméstico e das pressões com que lidamos no espaço público. Persistimos na nossa luta por leis progressistas que fortaleçam os nossos direitos formais, apesar da repressão e da violência que enfrentamos dos governos e das instituições religiosas. Somos todas mulheres em resistência celebrando as vitórias que alcançámos! Somos todas mulheres das Filipinas celebrando a aprovação da Lei sobre a Saúde Reprodutiva.

 

Face à violência exercida sobre nós, disemos “Basta”!. Mais uma vez, não esperamos , avançamos  e tomamos as ruas na luta contra todas as formas de violência e a normalização desta violência no seio das nossas sociedades. Denunciamos a violência enquanto elemento estrutural do sistema capitalista, neocolonialista e patriarcal e como um instrumento para controlar as nossas vidas, os nossos corpos e as nossas sexualidades. Somos todas mulheres da India e do Bangladesh a lutar contra a violação, as violências sexuais e a impunidade dos seus autores! Somos todas mulheres Maias a quebrar o silêncio nos tribunais na procura de justiça! Somos todas mulheres Moçambicanas na luta bem sucedida para aprovar a Lei sobre a violência doméstica.

 

Nós, mulheres indígenas, estamos a contra-atacar. Estamos a mobilizar massivamente ao nível local e internacional. Pedimos que os nossos governos respeitem os nossos direitos e os direitos dos nossos povos e territórios, e usamos com criatividade os instrumentos de luta à nossa disposição. Somos todas mulheres B´laan das Filipinas, mulheres Maias, Incas e mestiças da Guatemala a proteger os nossos territórios – a nossa terra e os nossos corpos – da exploração das indústrias mineiras e hidroeléctricas! Somos todas manifestantes de Idle No More e mulheres das primeiras nações do Canadá contestando as discriminações e injustiças históricas sofridas pelos povos indígenas!

 

Nós, jovens mulheres e raparigas, resistimos aos ataques patriarcais: no seio das nossas famílias – onde a noção do que é “apropriado” e “correto” é utilizada para restringir os nossos movimentos -, e no seio da sociedade – onde o nosso acesso à educação, a serviços de saúde reprodutiva e a serviços de saúde pública de qualidade, é limitado ou negado… Continuamos a desafiar estas restrições, a organizar-nos, a debater, a mobilizar-nos e a fortalecer as nossas lutas e dar energia e alento às nossas resistências. Somos todas raparigas do Paquistão a frequentar a escola apesar das ameaças físicas contra nós! Somos todas jovens estudantes do Chile a gritar “não” à privatização da educação e a exigir uma educação livre e de qualidade.

 

Nós, feministas, ainda estamos a lutar pela autonomia sobre os nossos corpos, a nossa sexualidade e a nossa fertilidade. Exigimos a legalização do aborto nesses países onde somos consideradas criminosas por exercer o nosso direito a não sermos mães. Estamos a resistir aos ataques efectuados aos nossos direitos reprodutivos e ao nosso acesso ao aborto, conquistas que obtivemos após décadas de lutas.  Somos todas mulheres da Turquia, aos milhares, erguendo-se  contra as acusações governamentais de que somos assassinas! Somos todas jovens mulheres da Europa a lutar, por todo o Continente, contra retrocessos no nosso direito a aceder a uma Interrupção Voluntária da Gravidez. Somos todas mulheres do Uruguai comemorando a legalização do aborto, ao mesmo tempo que nos mantemos alertas sobre potenciais tentativas de restrição e controlo sobre as mulheres que escolhem exercer esse direito.

 

Nós, activistas nos nossos sindicatos e partidos políticos, desafiamos o sexismo que perdura e a misoginia revelada pelos nossos próprios irmãos de luta , continuando, sempre, a manter a pressão para a inclusão do nosso feminismo anti-capitalista, de base e anticolonialista nos debates, nas declarações e nas lutas. Continuamos a fortalecer-nos colectivamente, a consolidar as nossas alianças e as nossas exigências feministas. Nós somos todas mulheres presentes em espaços de convergência dos movimentos sociais – como, por exemplo, no Firenze 10+10, Itália – afirmando a nossa análise e exigências feministas!

 

Nós, mulheres, estamos a tornar-nos cada vez mais rebeldes face às ofensivas fundamentalistas e conservadoras e à militarização das nossas comunidades. Somos todas mulheres e jovens raparigas do Mali, desafiando a opressão Islâmica ao conduzirmos as nossas motas, ao sairmos das nossas casas para continuar as nossas vidas quotidianas nos espaços públicos, lutando contra a violação, a violência sexual e a impunidade dos agressores! Somos todas mulheres europeias desafiando os nossos governos na luta contra as medidas de austeridade! Somos todas mulheres do Egipto desafiando as ameaças sérias de violência sexual pairando sobre nós, ao regressar de novo aos protestos na praça Tahrir! Somos todas mulheres da Tunísia lutando pela realização das reivindicações da revolução – trabalho, liberdade, dignidade e cidadania -, e contra as tentativas de imposição de mecanismos de discriminação das mulheres desde a infância (jardins-de-infância separados para meninas e meninos, o uso de véu nas escolas primárias, e a promoção do casamento precoce).

 

Nós, mulheres da Marcha Mundial das Mulheres, estamos em marcha neste 8 de Março de 2013, como fizemos durante as 24 horas de Acção Feminista em todo o Mundo a 10 de Dezembro de 2012. Numa onda de acção através dos continentes, estamos a transformar a nossa dor em força!

 

Marcha Mundial das Mulheres, Março de 2013

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Manifesto da Campanha Europeia - O que nos une e o que nos move

Domingo, 07.10.12

Excerto do Manifesto Europeu da Campanha. O texto estrutura-se em torno de 7 eixos.

Podes ler o texto todo na secção Media (o documento está disponível em 4 línguas)

 

A dívida dos governos é com as mulheres, não com os bancos!

Marchamos por uma vida digna e sustentável!

 

Nestes tempos sombrios de austeridade, constatamos com indignação o agravamento das condições de vida das mulheres no nosso continente, especialmente no sul da Europa. Em muitos países europeus a crise económica foi usada para concentrar a riqueza e o poder em

poucas mãos, explorando ao máximo a força de trabalho, limitando práticas democráticas, reprimindo os movimentos sociais e de cidadania e aumentando o ódio e a divisão entre diferentes sectores da população.

 

A europa do capital está a saquear as nossas vidas e direitos, está a levar as nossas sociedades a um estado de emergência em que somos nós as mulheres as principais afectadas, tanto pelos cortes como pelas políticas conservadoras dos governos neoliberais que pretendem impor valores baseados no “regresso ao lar” e no modelo de família nuclear contra o que as feministas tanto têm lutado. Nós mulheres, sofremos de maneira diferente os efeitos das crises económicas e sociais porque nos encontramos diferentemente posicionadas nas hierarquias do poder económico, político, social, cultural e simbólico. A divisão sexual do trabalho expressa a hierarquização de tarefas ou de pessoas, assim como ideias ou representações sociais acerca das divisões técnicas do processo produtivo e as relações sociais que nele intervêm e que distribuem as e os trabalhadoras/es por diferentes actividades.

 

Reclamamos uma vida digna que coloque as pessoas no centro da vida, que ponha em destaque os cuidados perante uma economia que não é algo abstracto nem decisões longínquas, mas que determina e afecta o dia a dia da vida das pessoas. Vida que está em risco perante as políticas de austeridade impulsionadas a partir dos mercados financeiros que empurram os estados para resgatar a banca quando o dever dos governos é resgatar as pessoas.

(...)

Queremos democracia em todas as esferas de nossas vidas.

Nós, as mulheres, queremos controlar nossa vidas e construir uma sociedade mais justa, que acabe com o sistema capitalista e patriarcal, e que nos permita viver, nós e todos uma vida digna.

Feminismos como elementos centrais para soluções reais. É isto nosso compromisso.

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